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 O que é o Vôo IFR?

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Luiz KAF 277

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Data de inscrição : 21/05/2008
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MensagemAssunto: O que é o Vôo IFR?   Qua 21 Maio 2008, 22:47

Normalmente, quando em vôo, o piloto está em contato com o ambiente externo à aeronave. Isto o auxilia tanto à navegação, pois pode visualizar rios, lagos, montanhas e outras referências que o guiam, como também à pilotagem da aeronave, pois pode facilmente perceber se está em curva, se está com o avião inclinado e etc. Este é o chamado vôo visual, e para ele pode-se usar apenas uma bússola como instrumento de navegação.

Porém, por eventos de natureza meteorológica, o piloto pode encontrar uma situação onde não consegue mais contato visual com o horizonte, normalmente devido à névoa densa. Ou, pior ainda, não consegue contato visual com absolutamente nada para além de seu pára-brisa. Não vê o solo, o horizonte ou mesmo o céu. Nestas situações, ocorre o que chamamos de desorientação espacial, o piloto não tem mais como saber para onde é o céu, a terra... Suas sensações também ficam prejudicadas. Obviamente, o piloto terá como último recurso sua própria sensação, em seu corpo, lhe indicando se está inclinado ou não. E esta sensação se torna seu pior inimigo pois, na tentativa de manter sobre seu corpo uma carga G igual a que sentiria se o avião estivesse em vôo reto horizontal, o piloto pode ser levado a colocar a aeronave nas mais diversas situações, como por exemplo de dorso e mergulhando!

Sem nenhum instrumento especial, apesar de perceber pelo aumento da velocidade que algo está muito errado, o piloto só se dará conta do que fez quando conseguir alguma referencia visual externa, como o solo. E então pode ser tarde demais para recuperar a aeronave da situação anormal em que se encontra.

De início não havia nenhuma preocupação com este tipo de vôo. Nos primórdios da aviação, as engenhocas voadoras eram de performance tão baixa que não atingiam alturas ou velocidades que tornasse a preocupação com o vôo cego uma constante. Porém a rápida evolução da aviação deixou claro que para aeronaves que voam alto, velozmente e por grandes distâncias, ignorar a possibilidade de se ter de encarar o vôo cego adiante certamente traria grandes problemas.

O problema maior no vôo cego era justamente a pilotagem da aeronave. Já existiam instrumentos que indicava a velocidade, altitude, indicavam se a aeronave estava subindo ou descendo. Foi criado então um instrumentos que recebeu, com muita propriedade, o nome de horizonte artificial. Era inicialmente não mais do que uma mera linha branca sobre um fundo preto, comandada por um complexo mecanismo giroscópico para simular a visão que o piloto teria do horizonte a todo instante. Assim, se o piloto inclina a aeronave para a direita, esta linha deve inclinar-se para a esquerda, reproduzindo a exata visão que o piloto teria do horizonte durante a manobra. Caso o piloto abaixasse o nariz da aeronave, a linha branca do horizonte artificial deveria subir, indicando que o horizonte está "mais acima" agora.

Este equipamento causou uma verdadeira revolução. Com ele tornou-se possível se voar por entre as nuvens com garantias de se sair dela numa atitude de vôo conhecida, com a aeronave sob controle! Isto, claro, aumentou a liberdade dos pilotos pelos céus e não tardou para que surgissem novos problemas. Com o horizonte artificial era possivel saber como a aeronave estava nos céus. Porém como saber onde ela estava? Era muito bem possível que, ainda que você tivesse sua aeronave sob controle graças ao horizonte artificial, terminasse por sofrer um acidente sério colidindo com uma montanha que lhe era invisível, por estar escondida sob a neblina. Estes tipos de acidentes permearam a mente dos pilotos com tal força que se deu até mesmo um apelido especial para estas montanhas. É comum ouvirmos pilotos serem prevenidos para evitarem grandes "caroços" que podem estar escondidos por aí.

Claramente, era necessário se criar meios de ter a posição da aeronave conhecida ainda que esta estivesse sem contato visual com o solo. Pouco a pouco, então, foi evoluindo a rádio-navegação. Sistemas de rádio-navegação basicamente constituem-se de antenas devidamente posicionadas no solo e de receptores especiais instalados nas aeronaves. Estes recepores denunciam ao piloto qual sua pisição com relação à antena que ele selecionou e, uma vez que o piloto possui um mapa da região que indica também onde está a antena, pode concluir com razoável grau de precisão onde se encontra sua aeronave no momento. Na realidade, este grau de precisão depende da qualidade da antena e também dos receptores. E é claro que estes dois ítens evoluíram muito ao longo dos anos, tomando proveito dos grandes avanços na área da eletrônica que tivemos neste último século.

Chegou-se ao patamar de podermos utilizar a rádio navegação para uma precisa guiagem da aeronave até a pista de pouso, com condições restritas de visibilidade, ao que se convencionou chamar de sistema de pouso por instrumentos (instrumental landing system, ILS). E não foram apenas os sitemas de rádio-navegação que surgiram.

Evoluções na eletrônica e uma engenharia mecânica cada vez mais refinada permitiu o surgimento de equipamentos magníficos como o inercial. Uma vez que se atualize as coordenadas da aeronave neste equipamento, ele é capaz de ir constantemente atualizando-a com extrema precisão.

Finalmente, um outra ramo da ciência beneficiou magnificamente a aviação: a exploração espacial. Instalou-se ao redor da Terra uma rede de satélites que compõe o sistema chamado GPS, ou Global Position System, o sistema de posicionamento global. Um pequeno receptor, que pode ser carregado na palma da mão, calcula a que distância está destes satélites, os identifica e, através de cálculos matemáticos de triangulação, determina com precisão de metros sua posição sua superfície terrestre. Este GPS, tendo em seus chips avançados programas, pode também indicar ao piloto a proa para uma determinada localidade, mostrar um mapa móvel onde é apresentada a posição e orientação da aeroanve em tempo real, além de poder fornecer com precisão a ground speed da aeronave!

Este conjunto de tecnologias, e seu correto domínio, reduzem para um mínimo possível as chances de o piloto inadvertidamente se encontrar com um grande caroço pelos ares.

Em resumo, portanto, o vôo por instrumentos é aquele no qual o piloto faz uso apenas de seus instrumentos tanto para a pilotagem da aeronave como para sua navegação.

Maximizando a segurança destas operações, existe na aviação um grande conjunto de normas, compondo o Regulamento de Tráfego Aéreo, com o objetivo de se restringir as aeronaves a dereminados padrões de operação que garantem maior funcionalidade das operações aéreas.

Apenas citando algumas destas normas, é óbvio que a aeronave deverá estar devidamente equipada para realizar o vôo IFR, ou seja, deverá estar devidamente equipada com instrumentos de rádio navegação, radio-comunicação, etc. Outra norma interessante de ser notada, é a de que, para casos onde não haja uma altitude mínima pré-fixada, a aeronave deverá estar sempre 600 m (2.000 pés) acima da mais alta elevação do terreno existente em um raio de 8 quilômetros de sua posição estimada.

Façam bom uso...

ABraço

Luiz Dias
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